Pensando Política


Assessoria de Imprensa

Não contei, nem vou contar...acho apenas estranho a quantidade de vezes que o Secretário de Segurança Robert Rios aparece no programa do Silas Freire. Zapeando pelos canais nesse horário, todas as vezes que passo pela TV MN o secretário está lá ou é o assunto do dia. Será que o departamento comercial da emissora já percebeu isso?


Escrito por Américo L. Abreu às 10h28 [   ] [ envie esta mensagem ]





Porque tantos acidentes?

Há aproximadamente dois anos renovei minha carteira de habilitação e aproveitei para inserir a letra A, o que me habilita a pilotar motos. Como já era portador de habilitação, o foco foram as aulas práticas. Mal vi teoria sobre pilotagem de moto, o começo de todos os erros, mas não o mais grave.

As aulas práticas, que duraram quase um mês, se resumiam a percorrer uma trilha marcada no piso de uma quadra de cimento. Durante 40 minutos todos nós, alunos, diariamente dávamos voltas e mais voltas naquele  percurso, semelhante à época ao percurso exigido pelo Detran. Detalhe - sempre de primeira marcha. As motos, com alta aceleração, nem precisavam ser aceleradas para se completar o percurso. Ali eu aprendi a "andar de moto" e não a "pilotar" moto. Isso faz  toda a diferença.

Em nenhum momento você é ensinado a dar freadas bruscas; desviar de veículos em movimento; arrancar rapidamente, como se faz no sinal e, principalmente, não se aprende na prática as diversas trocas de marcha que se exige em um trânsito complicado como o de Teresina. Forma-se um péssimo motoqueiro.Com a redução de IPI e o somatório de todas as facilidades para se comprar uma moto nova hoje em dia, o resultado não poderia ser outro. Centenas de novos “andadores de moto” pelas nossas ruas, atropelando gente e sendo atropelados por pura imperícia.

Como as auto-escolas se moldam aos testes do Detran, cabe a este órgão criar um novo modelo de avaliação dos motoqueiros. Aqui vão duas sugestões: ou se instala um sistema de câmeras em um percurso maior, que exija realmente do piloto, e que ele possa ser observado de longe, em todas as suas ações, ou o Detran coloca um fiscal, também de moto, que ande no trânsito junto com os candidatos, observando se estes realmente estão preparados para o trânsito. Triste mesmo é continuar chorando e lamentando o sangue derramado.


Escrito por Américo L. Abreu às 10h05 [   ] [ envie esta mensagem ]





Dialética

Quando o impossível acontece a gente consegue vê-lo apenas como improvável.  A entrevista do deputado estadual Leal Júnior, quase ex-DEM, ao Silas Freire, hoje à tarde, é exemplo disso por vários motivos.

Nas palavras de uma velha raposa da política é difícil confiar, mesmo assim impressiona ouvir de Leal Júnior um voto de fidelidade tão veemente ao governador Wellington Dias. Muitos petistas de longas datas e vários outros de última hora não seriam tão convincentes nas suas palavras. Jacinto Teles, por exemplo, não parece à vontade para expressar fidelidade ao maior líder do PT piauiense hoje.

Inimaginável também é conceber Leal Júnior - com todos os seus anos de PFL nas costas; toda a sua elegância preservada em ternos finos, bons perfumes, bons relógios; toda a sua retórica de pragmatismo político forjada em anos de experiência e convívio com os mais argutos pefelistas - estudando se filiar ao PT. Pior do que isso é, pra mim, simpatizante petista desde de 1980, reconhecer que se trataria de uma boa aquisição para o partido. Se pudesse eu também filiaria ao PT, compulsoriamente, o ex-deputado e pefelista Moisés Reis.

Até o dia 02 de outubro vamos assistir mais uma competição de saltos partidários. Pela distancia no espectro ideológico e de tonalidade de cores, seria espetacular ver um salto DEM - PT. Os concorrentes, obviamente, devem ter o máximo de cuidado na aterrisagem para não invadir o terreno de alguém. Enquanto o PMDB promete abrir as porteiras para Mão Santa e outros, os DEMistas que sobrarem preparam suas matilhas de advogados para soltar sobre atletas do salto partidário e reaver os mandatos do Partido Democrata. Nesse caso, vão se os dedos, briga-se pelos anéis.

Leal Júnior fez ainda uma declaração um tanto óbvia, mas inesperada pelo contexto: praticamente não há caras novas na política, uns dois ou três gatos pingados que formam apenas as excessões que confirmam a regra. Foi boa a entrevista para medir quanto esse estado mudou politicamente. Na academia muitos chamariam isso de dialética, outros de paradoxo. Eu apenas rio. 

 

 

 


Escrito por Américo L. Abreu às 16h02 [   ] [ envie esta mensagem ]





À Flor da Pele

Tenho visto o senador Heráclito Fortes na TV. O primeiro secretário do Senado mudou de perfil. Não estou falando da cirurgia para redução de estômago que o deixou - como dira Caetano - com mais fina estampa, mas do seu estilo. A ironia permanece a mesma, mas o teor cáustico aumentou despropositadamente. Beira agora a deselegância. A lingua do nosso parlamentar, objeto de tantos comentários recentes, está mais afiada que nunca. Convenhamos, o homem parece estar à flor da pele. E com razão.

Alguns vão me lembrar que o senador Heráclito Fortes demonstra uma queda antiga para agressividade, o Messias Júnior e o Efrem Ribeiro lembram bem disso, mas o momento é outro. Pelo contexto atual, o que anda tirando o nosso senador do sério é a possibilidade de um futuro "freitasnetiano". Explico.

O ex - prefeito, governador, senador e ministro Freitas Neto também já teve seus momentos de glória, como demonstra o seu mini-currículo.  O problema é que, em um momento raro na dialética dos astros, o nosso 'ex-quase tudo' perdeu o norte e caiu no ostracismo. Obviamente Freitas Neto não chegou nem perto do nosso querido Belchior, que sumiu por dois anos, mas o seu prestígio político acabou junto com o século passado. De ex-ministro para secretário da Prefeitura de Teresina existe uma considerável distancia. Heráclito Fortes teme essa trajetória descendente.

Caso o espertíssimo Wellington Dias consiga costurar uma aliança com o PMDB, garantindo para si e para Marcelo Castro uma vaga no Senado, Heráclito Fortes estaria em grandes dificuldades. Ficaria entre disputar uma cadeira de deputado federal e um ostracismo de dois anos, até disputar a Prefeitura de Teresina, com remotas chances de vitória. Na pior das hipóteses, um período de férias de quatro anos para tentar voltar ao senado na vaga que pertence hoje ao Grupo Claudino. Dureza.

Não seria um comentário sério se negasse aqui a ajuda que Heráclito tem dado ao Piauí através das suas emendas parlamentares, embora sua atuação no Senado não seja brilhante. Cá com meus botões, acho um demérito participar de uma mesa diretora que junta o suspeito e o cômico, ou seja, Sarney e Mão Santa.

Heráclito, mesmo sendo um 'Fortes', teme um fim "freitasnetiano". Aquelas cadeiras macias e estofadas do Senado Federal, recheadas de poder, prestígio e política mal cheirosa, são um imã para determinados egos. Ser afastado delas, mesmo que pelo voto de milhares, doi como se, ao levantar-se, a pele ali permanecesse grudada, como um 'escalpo' de maior magnitude. De mais a mais, já me disseram que o pós-operatório da redução de estômago deixa muita gente estressada mesmo.

  

 

 

 

 


Escrito por Américo L. Abreu às 10h02 [   ] [ envie esta mensagem ]





Vereadores.... para que te quero

Hoje estão inaugurando a nova sede da Câmara de Veradores de Teresina. Poderia se dizer que estão entregando a sede da nova casa à população, mas seria uma mentira deslavada. Se há uma coisa ruim em Teresina, pior que o B. R. O BRÓ, é a qualidade dos nossos vereadores.

A maioria dos que estão lá não têm o menor compromisso com a população. Parece nem saber para que serve um vereador. É fácil constatar isso... basta ver que fora do período eleitoral mal se fala deles. Quando se fala, fala-se mal. Faltam projetos, sobram politicagens, submissões - ao prefeito, aos empresários, etc. e, principalmente, sobra paternalismo.

Não sei se será bom para nossa cidade essa nova Câmara. Quando estavam 'incomodados' com a falta de estrutura eles já não se mexiam, agora que estão bem 'acomodados' periga ficar pior.  


Escrito por Américo L. Abreu às 09h05 [   ] [ envie esta mensagem ]





Hai, Kai?

Congresso be god

Livrai-nos do mal amém

do Sarney também


Escrito por Américo L. Abreu às 10h26 [   ] [ envie esta mensagem ]





Começar de novo é correr perigo

Nova batalha. Novos conhecimentos. Hoje estou retomando o 'Pensando Sobre' com muitas perspectivas de mudanças. Após uma rápida visita a oficina "Criação de Blog", ministrada pelo grande Jefferson Gualter do Audiook, quero repensar a linha editorial desse blog. Certamente que teremos muitas novidades por aí, mas ainda não é hora de entregar a rapadura.

Viu Professor, como eu aprendi direitinho? O melhor vem depois.... Aguardem. 


Escrito por Américo L. Abreu às 16h54 [   ] [ envie esta mensagem ]





Crivo

 

 

Lanço o meu olhar

oblíquo

sobre o misterioso mundo das cores,

Cientificamente disperso em prismas,

luzes,

reflexos

E o que vejo são angústias,

vazios,

sombras e

arrepios.

 

Américo L. Abreu

The 11-06-08 16h02


Escrito por Américo L. Abreu às 16h07 [   ] [ envie esta mensagem ]





Repensando a coalizão

Surpreender parece ser a tônica do Governo Welington Dias. Nos dois primeiros anos do primeiro mandato as dificuldades foram muitas e as cobranças maiores ainda. Os adversários cobravam uma agilidade que eles sabiam impossível. Muitos petistas caíram na armadilha e foram mais críticos do que os oposicionistas. No final, o Piauí melhorou.

O início do segundo mandato começou de forma semelhante. Há uma crise inconteste originada pela falta de recursos. Há uma polêmica em andamento por conta da indicação do novo secretariado. Há uma desconfiança com sintomas de ciúmes dentro da base petista e há, ainda, um pavor crescente entre o que sobrou da oposição, manifesto sutilmente no discurso de que nada vai dar certo por conta da enorme quantidade de aliados. Não deixa de ser paradoxal: nada dá certo sem aliados, nada dá certo com muitos aliados.

Como de praxe, alguns petistas caem mais uma vez na armadilha da oposição e da mídia. Condenam as escolhas do Governo do próprio PT antes mesmo que elas apontem as suas conseqüências. É a sensibilidade ideológica falando mais alto que a arte de fazer política.

Nunca a política piauiense se viu diante de um quadro como o que se desenha atualmente. A oposição ao Governo, se ainda existe, ficou restrita às hostes do PSDB e de um ou outro político teimoso demais para compreender a nova realidade.

No mais, tudo normal. Nazareno Fonteles, por exemplo, continua sendo a ótima pessoa e o mesmo parlamentar petista, ingênuo e atabalhoado, que ainda não aprendeu que as críticas ao seu Governo, se devem existir, devem ser feitas nas esferas legítimas do partido e não através da mídia. Wellington Dias continua à frente dos políticos do seu tempo. É assim: Mão Santa diz que lê, e o governador petista é quem aplica com maestria os ensinamentos de Maquiavel.

Dias continua com o apoio de boa parte da população piauiense. Tem o domínio da maior fatia do PT. Pulverizou a oposição de forma nunca vista anteriormente no Piauí e colocou parte do que sobrou dos seus inimigos bem ao seu redor, como ensina o velho mestre autor de “O Príncipe”. De quebra, Wellington ainda melhorou os quadros da Assembléia Legislativa, corrigindo pequenos erros do eleitorado. Alguém duvida, por exemplo, que Leal Junior é melhor para o Piauí como parlamentar do que Fernando Monteiro?.

            Ao meu ver, as perguntas a serem feitas na atual conjuntura são outras: Wellington arquitetou tudo isso ou foi levado pelas circunstâncias? Ele vai conseguir colocar ordem no seu secretariado nos momentos de crise, ou seja, próximo às eleições? A população vai entender a sua aproximação com o PFL (DEM) ou vamos ver em breve um processo de ‘firminização’ do Governador? Senhores e senhoras, petistas ou não, é esperar pra ver.
Escrito por Américo L. Abreu às 11h59 [   ] [ envie esta mensagem ]





O processo de formação de um golpe político

A gestão pública, assim como a atuação política, não vem com manual de instrução, direção hidráulica ou freios ABS. Por conta disso, boa parte do sucesso político baseia-se na capacidade que candidato tem para ler pessoas e contextos. São essas armas que o cidadão dispõe para fazer funcionar as variáveis que levam o ambiente político a seu favor. O Governador do Piauí, Wellington Dias, tem demonstrado muito talento nesses dois campos. Como os seus opositores sabem disso, trabalham com todas as forças para criar um contexto artificial, especialmente construído para obstruir o discernimento do Governador. A intenção, lógico, são cargos e recursos e prestígio e poder.

A criação do contexto artificial começa por colocar em discussão, horas depois da vitória no primeiro turno, a composição do secretariado e a nova disposição dos cargos no Estado. Assim, ainda em estado emocional frágil e embriagado pelo sucesso, o Governador reeleito encontraria-se mais propenso a recompensar os ‘amigos’ mais próximos. Aqueles que trabalharam na campanha, circulando em torno da estrela principal, já pensando na máxima: “quem não é visto não é lembrado”.

Esses, porém, são poucos em relação à quantidade de cargos disponíveis. O problema é que não têm discernimento suficiente para cobrar um cargo à altura das suas capacidades. A maioria quer sempre algo maior, de mais visibilidade. Nem pensam no risco de não corresponder, até porque supõem que no Estado o nível de exigência na qualidade da prestação de serviços é mínima. Na verdade sonham com um emprego e não um trabalho. Embora chatos, é uma turma fácil de lidar.

Complicado mesmo são os políticos derrotados somados aos adesistas de última hora. O cerco deles é engenhosamente trabalhado. As reais intenções jamais são explicitadas mas, para chegar até elas um longo caminho é arquitetado e dezenas de armadilhas são lançadas. Assim como a Rede Globo cria uma cidade inteira para servir de cenário para as suas novelas, os políticos piauienses constroem também os cenários onde pretendem atuar. Quem sabe, com um pouco de sorte, buscam conquistar o seu próprio final feliz.

A mídia é parte importante desse ‘projeto’. É através dela - entre notinhas sub-reptícias, entrevistas de duplo entendimento, matérias pretensamente desinteressadas - que os políticos erguem o falso cenário. Quer um exemplo. Não há cenário mais falso do que tentar fazer Wellington Dias acreditar que foi eleito graças ao dinheiro do João Vicente Claudino e aos votos de parte do PMDB. Isso é o que a mídia vem martelando. Na verdade, a situação é inversa. O apoio irrestrito ao Governador foi a senha para que  JVC e outros políticos tivessem acesso ao voto do piauiense.

Ciro Filho, por exemplo, perdeu uma oportunidade intergalática de se eleger senador pela chapa governista. Não soube ler o contexto...O voto que elegeu JVC foi o voto de protesto do Piauiense contra os desmandos, a arrogância e a usura que representa o PFL no nosso estado. A prova disso é que quase só se elegeram desse partido aqueles políticos cuja imagem está acima, ou dissociada, do estigma “pefelista”.

Não desconsiderando o trabalho realizado por Marcelo Castro na Câmara Federal, a sua votação recorde tem explicação, em grande parte, ao apoio incondicional ao Governador. Ressalte-se, antes mesmo do princípio da campanha. Apostou alto e ganhou com juros e correção. O mesmo ocorreu com Themístocles Filho.

Deixando o que é ruim de lado. A escória vem por último. O rebanho dos perdedores que passaram anos espinafrando Wellington Dias, desde a Câmara de Vereadores até o último mandato como Governador. Agora, devidamente enquadrados pelas urnas, adotam um discurso pretensamente humilde e rastejam um espaçozinho no Governo. “Humildes” sim, mas sonhando sempre com cargos relevantes.

Acontece é que, além de saber ler contextos e pessoas como ninguém, Wellington Dias tem ainda um grande coração. Não é à toa que ele traz junto a si, pessoas que não perdiam uma oportunidade para espetar um cravo na sua cruz. Quem sabe o Governador não esteja nos dando uma lição aprimorada de Maquiavel, que já pregava: fique de olho nos inimigos, nem que isso signifique tê-los por perto.

Por esta ou por aquela explicação, o que se desenha no cenário político são algumas dezenas de pessoas insinuando um contexto diferente para mostrar-se mais importante do que o são. O que se espera, no entanto, é que o Governador tenha a mesma coragem que as urnas tiveram e diga um não, bem claro e sonoro, para essa gente. Uns poucos que sempre buscaram no Governo, mais um abrigo para os seus projetos pessoais do que uma tentativa de resgatar os anos de atraso que esses mesmos projetos causaram ao Piauí. 


Escrito por Américo L. Abreu às 12h42 [   ] [ envie esta mensagem ]





Conhecendo o medo, ou, a perspectiva de ser pai

“Você ainda vai saber um dia...”. Muitas e muitas vezes foi com essas palavras que a minha mãe encerrou um pito bem dado. Os motivos eram vários: chegar tarde, não fazer o dever de casa, não arrumar o quarto, preguiça de estudar, entre outros. Aos 40, na véspera de me tornar pai, o aviso-alerta da minha mãe já faz muito sentido. Virei a página, e agora, do outro lado, entendo bem as preocupações de quem tem filho pra cuidar.

Preparar a chegada de um bebê já faz parte desse processo. São tantas coisas que não tive que às vezes me pergunto: serão mesmo necessárias? Sim, na atualidade são. Embora se possa viver sem a maioria delas. Faldas descartáveis e carrinhos de bebê, por exemplo, não eram assim tão sofisticados e acessíveis há quarenta anos. Babá eletrônica então...

A angústia de um pai com o filho começa cedo e vai se aprimorando. Parece que angústia é um ser animado e reprodutivo, que vai criando uma família de pequenas ‘angústiazinhas’ ao nosso redor. “Será que vai ser saudável?” “Será que vai nascer de sete meses ou de nove?” No meu caso, “será que vai nascer em pleno reveillon?” “E vai ter médico de plantão?” “E esses caras não terão tomado uns espumantes a mais?” (Champagne agora é só na França).

Acompanho o desenrolar dos acontecimentos como quem, com poucos palitos de fósforo, acende uma vela durante uma ventania, me cercando de cuidados. Não posso fazer muito pela Zilma, a não ser ficar perto e ajudar. Na maioria das vezes parece que estou protegendo ela, dela mesma. “Trabalhe menos....”, “não faça isso...”, “larga isso daí...”, “isso é muito pesado pra você”, etc.

Deitado na varanda da casa azul, lá no Sertãozinho, tudo que antes era sinônimo de aventura ou de boa vida, hoje é levanta uma ponta de preocupação ou dúvida. “Ter um cavalo seria ótimo, mas e se ele cair?”; “essas flores estão lindas, mas essas abelhinhas...”; “ah, a piscina que bom...mas que perigo”; “temos muitas árvores, muita sombra, mas e se ele resolver subir e cair de uma delas?. Credo. Eu hein?  Logo eu, que subo em árvores, ando a cavalo, tomo banho de rio e, aos 40, ainda me acho um menino.

Os lampejos de tranqüilidade ainda existem, claro. Me apego à idéia de que essas preocupações, como as de minha mãe, serão infundadas. Espero e rezo a Deus para me dar a oportunidade de repassar ao Theodoro o velho bordão: “você ainda vai ser pai um dia...”.
Escrito por Américo L. Abreu às 07h40 [   ] [ envie esta mensagem ]





Agendamento na mídia

A discussão é jornalística, pende para os mais íntimos das Teorias da Comunicação, mas não pude resistir. Estamos vivenciando no Brasil um momento histórico para a mídia. Pela primeira vez o ‘Quarto Poder’ está incrédulo diante da resistência de um mito. Como Lula conseguiu sobreviver a um ano de ataques ininterruptos na imprensa brasileira?

A tentativa de explicação teórica inicia nos primórdios dos estudos da Comunicação. A Teoria Empírico Experimental, que sucedeu a famosa e falha Teoria Hipodérmica, já lança algumas luzes sobre a “resistência midiática” de Lula. É interessante lembrar que, boa parte dos estudos que nortearam essa teoria foram trabalhados dentro de campanhas eleitorais, o que por si só já a aproxima do nosso comentário.

Hyman e Sheatsley, que voltaram os seus estudos para a audiência, apontam quatro itens fundamentais para entender porque o Sistema Globo de Comunicação, somado à Veja, Folha de São Paulo e outros veículos de comunicação não conseguiram derrubar Lula ou deixá-lo ‘sangrando’, ferido de morte, e sem chances de se reeleger. É bom lembrar que hoje, 28 de setembro, três dias antes da eleição, o presidente ainda mantém quase 80% de aprovação popular e, pelas pesquisas, ganharia a eleição no primeiro turno.

Voltando à Teoria Experimental, quatro fatores se destacam no estudo da audiência. Primeiro a questão do interesse na informação, que revela algo impensável para os jornalistas: por mais que se trabalhe, existe sempre uma parte do público que não dá a menor importância para a informação produzida. E mais, a exposição é seletiva, ou seja, quando o público se digna a buscar a informação ele seleciona aquela que está de acordo com os seus interesses, ideologias e atitudes. Ou seja, por mais que se fale mal de Lula, só quem vai se interessar por essas matérias são os anti-Lula.

Há ainda o quesito percepção seletiva. Ele mostra que o público não se expõe à informação em um estado de nudez psicológica. A audiência tem as suas defesas no processo de comunicação. Através dessas defesas, que se baseiam no seu repertório, ela reinterpreta as informações, muitas vezes fixando atitudes totalmente diversas do sentido desejado pela mensagem recebida. Na versão Lula isso significa: “Pode denunciar, mesmo assim eu vou ganhar a eleição no domingo...”.

Para desespero de boa parte da mídia brasileira existe um item da Teoria Experimental ainda mais problemático: o Efeito Bartlett, ou Memorização Seletiva. Ele explica que a audiência tende a memorizar e selecionar as mensagens de acordo com as suas atitudes e opiniões. O brasileiro lembra mais dos pequenos avanços que ocorreram no seu cotidiano nos últimos quatro anos do que nas acusações de mensalão, sanguessuga, e etc.

Para não ficar ainda mais chato, vamos lembrar apenas um dos argumentos da Agenda Setting, uma hipótese estudada a partir da década de 70. As pessoas tendem a incluir ou excluir do seu cotidiano aquilo que a mídia inclui ou exclui do seu conteúdo, na ordem direta seria assim, a mídia influenciam em Sobre o Quê devemos pensar, mas não consegue – daí a infelicidade da Globo – impor o Quê ou Como devemos pensar.

Lula foi criado através de um longo processo na cabeça do brasileiro. A sua biografia confunde-se com boa parte da história recente do país e faz parte do repertório cultural de grande parte da população brasileira. Essa população, erroneamente ou não, reinterpreta as dezenas de denúncias que surgiram contra o presidente nos últimos meses. A audiência confronta, mesmo que inconscientemente, essas novas informações com aquelas que já fazem parte do seu repertório e, ao que parece, no momento a esperança ainda supera o medo. Daí a encerrar a eleição no primeiro turno é um passo.
Escrito por Américo L. Abreu às 09h00 [   ] [ envie esta mensagem ]





Rádio Cultural para quem?

Por Américo L. Abreu

 

O formato das emissoras de rádio educativas ou culturais no Piauí é elitista, excludente, antigo e feito para não ser ouvido. Calma. Eu não estou furioso e nem convicto que essa é a única verdade, mas vou listar os meus argumentos e quem quiser que conte outra.

 

Oficialmente, a primeira emissora de rádio brasileira foi criada por Roquette Pinto e chamava-se Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Nasceu com o caráter de emissora educativa, preocupada em levar “cultura” para as classes menos favorecidas. 

 

A emissora de Roquette Pinto transmitia durante poucas horas por dia, mas a grade de programação incluía música clássica, comentários de notícias, palestras culturais, etc. Mesmo esquecendo os problemas técnicos, comuns na tecnologia disponível na época, a programação da emissora era chata e voltada para raros ouvintes ditos intelectuais. A linha editorial das emissoras educativas/ culturais não mudou muito dessa época até os nossos dias. Avanço mesmo só na tecnologia.

 

Em pouco tempo, Roquette Pinto fechou a emissora devido aos altos custos e entregou os equipamentos da sua emissora para o Governo Federal, com duas pequenas exigências: que não se veiculasse política ou propaganda na futura rádio governamental. Além de criar o rádio chato ele inventou a forma de deixar as emissoras mendicantes.

 

O problema é que isso aconteceu entre 1922 e 1930, mas até hoje muita gente segue o exemplo. As nossas emissoras ditas “culturais” teimam em manter uma programação musical elitista, onde se ouve musica clássica, música brasileira de elite – também conhecida erroneamente por MPB -, ou música de bandas e cantores conhecidos apenas por uma minoria de intelectuais. Justamente aquele público que tem poder aquisitivo para comprar CD ou acesso para baixar essas músicas em MP3. Geralmente esse grupo nem têm tempo para ouvir rádio.

 

Por outro lado, as camadas mais pobres da população quase não têm acesso ao lazer, dividindo-se entre o rádio e a TV. Além de não terem condições financeiras de comprar CDs essas pessoas têm o seu gosto musical subestimado. As músicas que fazem sucesso entre elas são, quase sempre, censuradas nas emissoras culturais. Mais uma vez, as pessoas que mais precisam de “cultura” são alijadas do processo justamente pelos que se consideram cultos e definem a linha editorial dessas emissoras.

 

O desafio que se mostra no nosso rádio cotidiano é: como introduzir as camadas mais carentes ao mundo da alta cultura? Certamente a fórmula que se apresenta hoje não funciona. Por outro lado, essa discussão nos leva ao debate entre o que seja alta cultura e a cultura popular, mas isso é tema para um outro artigo.

 

 

 

 


Escrito por Américo L. Abreu às 12h05 [   ] [ envie esta mensagem ]





MUSICA QUE ENGANA

Por: Américo l. Abreu

 

A batida é forte. O baixo faz o chão tremer sob os pés. A bateria pontua em cortes secos e impulsiona o corpo da gente. O vozeirão do Falcão faz o corpo, sem perceber, embalar ao som de Rodo Cotidiano. A participação de Maria Rita, com a sua voz cintilante, dá apenas o arremate final. A música é linda, mas belamente triste.

 

Acontece assim, com Rodo Cotidiano, como acontece com Dezesseis, da Legião Urbana e tantas outras músicas que nos enganam pela batida enquanto a letra nos trucida por dentro.

 

Rodo Cotidiano é uma crítica social mimetizada em balanço. Você começa sabendo como a idéia da música surgiu. “No calor do alumínio, nem caneta, nem papel, uma idéia fugia. Era o Rodo Cotidiano”. E aí embarca no mesmo trem da Central.

 

A cada vez que a música repete mais martela na consciência os milhões de “my brother” trabalhadores que embarcam todos os dias no “concorde apressado”. Como tanta gente sabe, nesse país de salário mini-mínimo, R$ 350,00 é pouco, é quase nada. O problema é que isso não é tudo.

 

O problema é que o massacre é cotidiano e, nem perspectiva nem futuro, são palavras com significado nesse contexto. O que dói no Rodo Cotidiano é essa certeza cruel de que amanhã o trem vai passar novamente, cheio de força, quentinhas abafadas como são abafadas as vidinhas que se encostam no vagão tão pequeno que parece um curral.

 

Não sei  em quanto tempo pensei nessas coisas. Só percebi que tinha de escrever sobre isso quando senti um gosto de sal na garganta e uma lagrima teimosa escorreu por baixo dos meus óculos escuros. Engatei uma terceira, acelerei, e fui dar minha aula. Afinal de contas, eu também sou guerreiro, sou trabalhador, apenas tive mais sorte.

 

 


Escrito por Américo L. Abreu às 11h50 [   ] [ envie esta mensagem ]



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